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Traduções.

“El remordimiento”, de Jorge Luis Borges.

03 · OUT · 20262 min de leitura
Leitura

Original

Cometi o pior dos pecados
Que um homem pode cometer. Não fui
Feliz. Que as geleiras do esquecimento
Me arrastem e me percam, impiedosas.

Meus pais me geraram para o jogo
Humano das noites e dos dias,
Para a terra, a água, o ar, o fogo.
Eu os decepcionei. Não fui feliz. Cumprida
Não foi sua jovem vontade. Minha mente
Aplicou-se às simétricas porfias
Da arte, que entretece ninharias.

Legaram-me coragem. Não fui valente.
Ela não me abandona. Está sempre a meu lado
A sombra de ter sido um desgraçado.

Tradução

He cometido el peor de los pecados
Que un hombre puede cometer. No he sido
Feliz. Que los glaciares del olvido
Me arrastren y me pierdan, despiadados.

Mis padres me engendraron para el juego
Humano de las noches y los días,
Para la tierra, el agua, el aire, el fuego.
Los defraudé. No fui feliz. Cumplida
No fue su joven voluntad. Mi mente
Se aplicó a las simétricas porfías
Del arte, que entreteje naderías.

Me legaron valor. No fui valiente.
No me abandona. Siempre está a mi lado
La sombra de haber sido un desdichado.

Borges me atinge por uma razão simples: ele transforma a infelicidade em remorso.

Não porque sofrer seja uma falha, mas porque existe algo terrível na possibilidade de perceber, tarde demais, que a vida aconteceu enquanto esperávamos o momento certo para vivê-la. Há coisas que só reconhecemos como felicidade quando já passaram, e talvez parte do que chamamos de saudade seja justamente isso.

El remordimiento me deixa com esse incômodo: o medo de um dia olhar para trás e descobrir que hesitei demais, adiei demais, esperei demais. E acho que esse medo um dia se concretizará.

Enquanto ainda tenho tempo, talvez seja essa a advertência do poema.

Teu até a morte,Quixotesco